Thursday, January 04, 2007

des-espero

Picking up, my friends, picking up. Tive uma virada ótima e tranqüila em São Sebastião, ao lado de minha Piu e binha bãe e seu marido. Aquela coisa bem família européia mesmo, de sair da praia antes dos fogos acabarem para não pegar trânsito e bêbados no caminho de volta.

Cabe acrescentar que não bebi, como de costume, e não caí, como de costume. Aliás inventei uma nova técnica para pararem de me encher para eu beber. Quando surgir a oportunidade vocês vão ver qual é.

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2007 então. Nenhuma resolução, nenhuma promessa, algumas vontades (que já estavam aqui antes e independentemente de qualquer passagem de ano) nenhuma olhada muito nostálgica para trás e nenhuma, nenhuma esperança pela frente. Cheguei à conclusão de que esperança é o que me mata. É o que me deixa infeliz. Esperar é sempre querer o que não se tem e, uma vez conquistada, deixa de ser esperança, e fica o buraco, e, sendo um vício, está fadada a voltar, como tapa-buraco, cada vez apontando uma direção diferente e me fazendo acreditar que nunca vou ser o que quero ser. Que felicidade é o que está pendurado nas pálpebras do eterno dia seguinte.

Anotem aí: 2007 vai ser o ano do desespero. O ano em que não espero nada. Esta pode ser a chave, desconfio. Ou então tenho lido os filósofos errados. Mas duvido, duvido. Estou convencida de que a fonte das minhas angústias está nas esperas que o tempo todo mudam de direção. Sou cega demais para ficar feliz com o que aspirei e conquistei e pronto. O negócio é não aspirar nada. O que acontecer vai ser aproveitado aqui e agora. O ano do desespero. Não vou esperar muito de mim, nem dos outros.

E vou acreditar que felicidade mesmo é só o que posso pegar. Serei justa comigo. Tudo o que voa eu posso até achar bonito, mas não me motivo a ir atrás. Vai que eu despenco lá de cima? Não, não vale mais a pena. Já valeu. Passei dessa fase.

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Domingo volto para Londres. Parece que foi ontem que saí de lá, ao mesmo tempo estou com umas saudades loucas de algumas pessoas e situações. Estou com saudade dos fins de semana abarrotados de programas, e de começar a semana já cansada, mas feliz. E de recomeçar as coisas que larguei pela metade. Até do trabalho ta dando saudadinha. Sinal de que descansei bastante aqui.

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Tá, tá, minha vida não é só flores e eu não sou tão segura assim. No final do mês terei que fazer uma pequena intervenção médica. Estou tranqüila (o caralho), confiante (o caralho) e sorridente (o caralho). Sei que não é nada do outro mundo mas não consigo não ficar ansiosa. Que maldição! Vou ter que me dopar ou corro o risco de pôr enfermeiras pra correr no hospital.

Na verdade, bem verdade, só preciso de um bom colo. É uma merda passar por essas longe da família. Mais uma que vou ter que superar. C’est la vie.

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