Saturday, December 23, 2006

da terrinha

Tudo indicava que o dia 20/12 seria mais um daqueles dias em que tudo dá errado, já que é o dia em que vou viajar. Dessa vez meu realismo me fez pessimista. Errei em todas as previsões. Comecei o dia bem, cheguei no trabalho em ponto, trabalhei bem durante todo o dia, pulei o almoço e às 2.30pm já estava indo para casa, terminar de arrumar nada, porque já estava tudo arrumado mas eu ansiosa não conseguia admitir.

Fiquei fazendo hora mesmo, sem entender minha pressa em sair do trabalho, minha pressa em fazer tudo really. Ansiedade pura. Fui para o aeroporto bem antes com medo das cagadas de antemão. Já sou ressabiada. E na verdade foi bom porque o metrô estava todo merdoso como era de se esperar. Mas cheguei a tempo de ir com calma. Cheguei lá e deu de cara com a Rapha, uma amiga da Bru que também virou minha amiga. Coincidência pura já que estaríamos no mesmo vôo e só não sentamos uma ao lado da outra porque os dois bebezões queria ir na janela. E no final das contas, foi até bom. Tive o rabo sem precedentes de não ter ninguém ao meu lado de forma que pude usufruir de maneira mais completas os inigualáveis efeitos do amigo Lexotan. Claro que atrás de mim um rapaz em seus 11 anos, cheio de gordurinhas e cara de peste, se pôs a chutar meu banco. Mas como cansei dessa vida, logo antes do avião decolar virei para trás e falei pra não começar pelamordedeus. O menino até me chutou depois algumas vezes, e eu me vingava deitando o banco ao máximo, o que o emputecia já que ele estava na última fileira e seu banco não deitava. Haha. Duas pessoas com a mesma idade mental, claramente.

E deu tudo certo. Vi um capítulo de Friends antes do jantar, jantei antes de capotar, tomei café antes de aterrissar. Foi tudo rápido e quase indolor. Pouca fila na alfândega, nada a declarar, sinal verde, minha mãe e minha irmã me esperando, abraços, aê brasilzão, calor, sol, buzina, fumaça, cadê o carro. Cadê o carro? Claro, estava sendo resgatada do aeroporto por duas mulheres tão quanto ou mais ansiosas que eu. Não se lembraram de ver onde deixaram o carro. Demorou uma meia hora para elas atinarem que o carro estava exatamente onde eu falei que deveria estar assim que chegamos no estacionamento. Mais uma hora e meia no trânsito *goshtoso* da marginal. Brasilzão. Homens sem camisa dirigindo caminhões e girando o pescoço para ver qualquer par de pernas nos carros ao lado. Brasilzão. Carros cortando, tirando finas. Brasilzão. Escorts 86 soltando fumaça preta, buracos na rua, vendedores ambulantes tirando proveito do caos do Natal para andar tranqüilamente por entre os carros em plena marginal. Pessoas tirando caca de nariz e jogando a meleca pela janela. Brasilzão. Finalmente cheguei.

Em casa, quase tudo igual. Um ou outro quadro de babãe pendurado na parede, uma mesinha e um abajour novos, nova torradeira, novas toalhas, novos azuleijos na beira da piscina. Tudo salta aos olhos.

Esqueci onde ficavam os copos, esqueci meu atalho preferido pra chegar à Rua dos Pinheiros. Esqueci nomes de atores e atrizes. Esqueci que se dá gorjeta em cabeleireiro.

Estou amando cada minuto, mesmo aqueles que parecem perdidos. Exatamente como era antes. O tempo passa mais devagar, os sorrisos ficam mais tempo nos rostos, as noites parecem mais descansadas. Tudo na minha cabeça, mas é assim. É mais real quando é só na minha cabeça.

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Ontem foi meu bota-dentro e amei cada pessoinha que foi e cada papo, e cada novidade, e cada minuto mesmo. Que saudade, que saudade. Eu nem sabia para onde olhar, de onde ouvir, para quem falar. Eu deveria virar dez, na verdade.

Inclusive, para as fofas que me cobraram, minha lista de livros de 2006 sairá em breve, quando eu voltar pra Londres, já que tá naquele computador.

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Ainda não pude aproveitar todo o calor brasileiro de que todos me falaram. Hoje, por exemplo, só choveu. Deu para dar um pulinho e umas braçadas reles na piscina do prédio. Não muitas porque tinha acabado de comer (arroz, feijão, farofa de banana e frango, sorry). E tomei um nada de sol que deve ter me queimado porque estou um papel.

E já deu para conhecer o consultório (nem tão) novo da minha irmã, e a casa (nem tão nova) do Putão, e passear na João Cachoeira, e no Extra, e comer Temaki e comprar blusinha, e comprar saia, e ver minha vó que parece cinco anos mais velha a cada ano. Toda pequena, toda enrugada, chorando e rindo ao mesmo tempo. Já não faz mais diferença.

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Ontem cheguei do bota-dentro e resolvi olhar quem estava online. E quem estava era quem eu queria. Adorei. E deu saudades. Estranho. Preciso morder bochechas.

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Feliz natal, se eu não voltar aqui amanhã.

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