Thursday, November 30, 2006

Terça, 21/11

Foi esse o dia em que acordei coçando. Pulgas, imagino. Pulgas para todos os lados. Pulgas me picando as canelas, os braços, os ombros, o mindinho do pé, até. Pulgas. Só em mim. Flá ganha casquinhas. Flá ganha refrigerantes. Eu ganho pulgas.



Último dia para a Flá, tínhamos que aproveitar, apesar da chuva fina. Pegamos o bondinho e fomos conhecer downtown Basel, que é uma fofura. Cidadezinha do tipo caixinha de música. Quase do tipo origami. Visitamos o prédio da prefeitura, a catedral, atravessamos pontes e vimos mercadinho de natal. É tudo tão harmônico que é difícil imaginar alguém morrendo ou alguém roubando. Ou até alguém tropeçando (tirando eu, claro).



Fomos pegar nossas trouxas no hotel e partir para a estação de trem, de onde eu ia para Interlaken e Flá ia para o aeroporto. Um cafezinho, compra passagem, tudo com calma, tudo certo. O trem é absurdamente luxuoso e obviamente fiquei roxa de vergonha ao perceber que tinha comprado a passagem errada, que custava metade do preço da certa. Mas tá valendo, tá valendo. A gente tenta. A gente é gringo, a gente pode. E foi no trem mesmo que percebi que meu celular não estava mais comigo. Perdi. Não sei onde, nem como, não sei se deixei em algum lugar de burra ou se foi delicadamente retirado de meus pertences. De novo. Meu celular de poucos meses de idade. Igual ao do ano passado (que foi tacitamente roubado, diga-se). Alguns meses de alegria e acabou. Foi-se. Eu ainda tinha esperança de fazê-lo funcionar chegando em Interlaken, para poder me comunicar com o Alexandre, que me encontraria lá. Agora nem o número dele eu tinha, para ligar de algum telefone público se desse algum pau. Minha cara.

A viagem de trem foi linda. Passei por Bern (capital, sabiam?), mais trocentas vilinhas que não cansei de olhar, e fiz todo o contorno em um dos lagos que dá razão ao nome do meu destino. Interlaken fica entre dois lagos cujos nomes me fogem e não quero pesquisar porque estou com sono e ninguém me paga para pesquisar e escrever aqui. Uma cidade pequena e fofa, de novo origami, de novo musicbox. É cheio disso na Suíça. Eu me sentia até mais correta andando pelas ruas em linha reta e sem me perder.



Mala nas costas, comecei a andar em uma só rua, que era a mesma que levaria à casa do Walter, onde tínhamos reserva. Cheguei lá, abri a porta, não havia recepção. Comecei a subir as escadas sem saber direito por quê. No meio do caminho um senhor de meia idade (com cara de Geraldo, segundo Alexandre) vem ao meu encontro. Um inglês primoroso em que só se utiliza o presente dos verbos mais elementares. Uma graça. Uma figura. Nosso quarto era gigantesco, inclusive com um piano que não tocava (acho que está na moda na Suíça).

Aí chegou a pior hora, que era a hora de morrer de fome enquanto esperava Sir Alexandre chegar porque não tinha recepção na casa do Walter e ele então não saberia nada, não entenderia nada. E estava chovendo, e eu estava nos alpes, porra. Ansiosa que só.

Resolvi entrar na internet, achar alguém que tinha o número do Alexandre no MSN (valeu, Nica!) e pedir pra explicar pra ele que o nosso quarto era o seis, e que eu estava indo para algum lugar, de guarda-chuva e fome e ansiedade, algum lugar que eu não sabia. Só pensava em decorar o caminho da volta.

Acabei achando um único lugar aberto. Comprei um sanduíche, Pringles e um chocolate de ovomaltine. Voltei. Quando chego no Walter, Alexandre e o carro chegam trazidos pelo GPS. Enrolação básica e saímos para jantar no centro da cidade. O sanduíche ficou para a história.

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