Wednesday, March 15, 2006

stay with me

Sei que faz tempo. Estive doente. Ainda estou, para ser sincera. Não fui trabalhar. É uma gripe que dura cinco dias, me disse o cara da farmácia. Acho que ele só queria mesmo era vender mais. “Eu saro rápido”. Comprei a caixa menor. Aí “realizei” que aqui não tem esse tipo de malandragem. E toca voltar à farmácia e comprar mais uma caixa, o que tornou tudo mais caro. E para completar, aquela cara do farmacêutico de eu-já-sabia que eu, do alto do meu nariz entupido, tive que engolir.

Junto com a gripe, os preparativos para a mudança. Tudo o que é livro, DVD e utensílios de cozinha já foram devidamente encaixotados. Ainda falta o mundo de roupas. Não sei como vou conseguir empacotar tudo. Já pedi para o Chris me emprestar uma mala, e estou contando fielmente com isso.

Broo também está toda ansiosa. Na verdade não vejo a hora de me mudar para estabelecer paz de novo aqui dentro. Morar mais perto do trabalho, economizar tempo e dinheiro, viver numa casa menos povoada. Quer dizer, esse começo vai ser esquema asilo. O Má, alguma-coisa da Broo, vai ficar lá, e trará junto mais dois amigos para passar o fim de semana. Vai ser uma bela experiência antropológica já que o apê é, apesar de lindo, deveras pequeno. Tudo é festa. E mais dois, numa altura dessa, significa maior força-tarefa na mudança. Estou feliz com a possibilidade de apenas dizer isso-vai-aqui, isso-vai-ali. Sem riscos para minha frágil coluna de nadadora.

Obviamente quando tudo passar e eu voltar a navegar em águas mansas, todosm os planos que estavam on hold voltam a funcionar, ao menos na minha cabeça perturbada. O Edu, meu técnico no Brasil, me passou um treino intensivo de cinco dias para antes do teste no clube de natação. Olha, vou dizer, não vejo a hora de entrar em forma novamente. Tá foda.

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Sábado foi o housewarming da Joo. A Joo chegou aqui faz menos de dois meses. Ela é amiga da Rê e chegou como se chega: desamparada, ansiosa, estranha, desconfortável. Mas aprendeu rapidinho a sobreviver nisso aqui que se chama primeiro mundo. A festa foi um sucesso e eu, apesar da gripe (que obviamente piorou), me diverti como se estivesse bêbada. Quase agi como se estivesse bêbada também, mas aí é que agradeço à Nossa Senhora da Sobriedade, essa que abençoa pobres almas segundos antes de cometer a Cagada do Ano.

A verdade é que, novamente, voltei a aproveitar festas. Tenho minhas fases ostra. Não saio nem arrastada, não tenho o menor saco de me deslocar para a puta que o pariu para falar frivolidades e arranjar desculpas para não beber e perguntar coisas fúteis a pessoas que não conheço e nem quero conhecer e que não me conhecem e nem querem me conhecer. Ganho mais em casa, sem passar frio, vendo TV, lendo um livro, resolvendo algo que tem que ser resolvido, escrevendo, até cansar e dormir. Com festas e baladas não é assim. Ainda não entendo porque tem fases em que vou. Como esta. Não entendo direito por quê estou me divertindo, mas estou. Não entendo o propósito, mas vou. Sei lá, deve ser bom, uma coisa assim mais humana. Um dia vou entender melhor.

E falando em farra, Broo e eu já começamos a planejar o nosso housewarming. Engraçado é que antes de pensarmos na festa, pensamos nas regras dela. Tipo, proibido fumar dentro da casa, sujou-limpou, utensílios descartáveis. Enfim, mudar já dá trabalho demais para vir baderneiro e dar ainda mais trabalho. Percebam que posso estar em festa mode-on mas jamais deixo a rabugem. E ela jamais me deixa.

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