Monday, April 18, 2005

raindrops stop falling on my head - little by little

Depois de amanhã eu saio ao meio-dia do trabalho, pego o *tubo*, desço em Hammersmith, onde uncle John estará me esperando de carro. De lá vamos a Heathrow. Preciso continuar?

Meu coração acelera só de pensar. Estarei cuddling babãe em menos de 48 horas. Vocês sabem o que são 48 horas para quem está longe há 10 meses? Pois erraram. 48 horas é muito tempo. Tanto tempo que a chegada da minha mãe parece estar muito longe ainda. Só vou entender quando sentar no carro do uncle John a caminho de Heathrow. O mesmo banco e o mesmo caminho de quando aqui cheguei há 10 meses. Céus, como tudo mudou. Tenho até medo de ter mudado demais. De estar madura demais, vivida demais, mundana demais. Medo de estar mais massa, menos grão.

Medo bobo. Não importa quanto tempo eu viva, e quantas coisas eu viva, e quantos sonhos realize e realizo todo dia, e quandas decepções enfrente; nada vai conseguir um dia realmente varrer meu medo. Ultimamente é medo de enlouquecer. De sair dançando tango sozinha pelas ruas. De chorar ao tropeçar, de rir ao me esfacelar. Não precisa ter medo, eu sei. Mas quem disse que minha cabeça segue a lógica precisa? Vocês não sabem, mas há foguetes de energia saindo da minha cabeça e me impedindo de ir junto além. Para algum lugar tem que ir essa energia. Para algum lugar que não meu estômago. Porque energia no estômago só infla, só dói, só panica.

Isso tudo é o que estou deixando escapulir por entre meus dedos agora, sem o menor controle, sem a menor censura, sem medo de realmente enlouquecer, pelo menos uma vez em todo esse dia, em todos os dias um pouquinho. Isso tudo porque sei que logo mais não preciso ser sã o tempo todo. Não preciso ter o equilíbrio que não tenho; não preciso ter a coerência que não tenho; não preciso ter a mente serena que não tenho. Posso ser o que sou – algo novo para todo mundo: para mim, para minha mãe, para meus amigos. Eu mudei e ainda não sei no que me transformei. Fiz um corte de cabelo de olhos fechados e descobri que não tem espelho na sala. Então melhor assim. Se eu não consigo ver meu cabelo, que ele pareça uma galinha d’angola sobre minha cabeça - já não ligo. Viram só? É aí que começa a loucura. Quando acabam-se os espelhos e nada mais importa. O mundo te vê mas você não percebe. E sai dançando tango na chuva, chorando nos tropeços; rindo nas quedas duras.

Agora que ela está chegando, a saudade parece uma faca cortando aos poucos um dedo já cortado. Agora estou me permitindo sentir um mundo de sentimentos. Estava tudo aqui. Eu é que, na falta de espelhos, não pude ver.

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Fim de semana muito bom. Sexta aquele happy hour básico com o pessoal do trabalho. Sábado dia molenga com Chris. Foi bom. Estamos bem. Dia 14, aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar, completei 4 meses de namoro. Ele me veio discreto, quase tímido, quase sapeca, me puxou num canto quanto estávamos no happy hour e falou, babe, yesterday, four months ago I was holding you for the first time. E sorriu, e eu nem lembrei da data, afinal era o aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar. Mas ele lembrou, e me lembrou, todo tímido. E me lembrou também que estamos bem. Um namoro que começou morno, esfriou e finalmente esquentou. Acho que nunca estivemos tão bem. Acho que nunca tive um namoro assim. Não apostava minha calcinha mais encardida nesse relacionamento. Continuo meio arredia, um pé na frente e outro atrás, mas aos poucos estou deixando ele me mostrar seus encantos. E os estou descobrindo mais numerosos do que pensei. Apostei no azarão achando que a perda era inevitável. Por enquanto, meu cavalo loiro continua firme na disputa. Não em primeiro, mas não em último. And that's enough for the time being.

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Sábado à noite fui na Lover Lounge com Frufru. Uma das casas noturnas mais bonitinhas a que já fui. Endereço marcado no lado mais gostoso da minha cabeça para levar Piupiu.

Domingo acordei com um barulho de torcida e lembrei, ah, sim, a maratona. A maratona de Londres. Ela passou aqui do lado de casa. O trio parada dura, claro, saiu para marcar presença. Entre as muitas cenas cômicas, essa que vos fala deu um tapão num balão e este bateu com tudo na cara de um gatinho. Para melhorar, acesso de riso, daqueles bem eu, boca bem aberta, todos os dentes querendo aparecer. O horror, o horror.

À tarde fomos a Camdem Town, encontramos as fofas da Bru e da Fla (irmã da Bru), coisinhazinhas fofas demais, pouco conhecidas mas muy queridas já. Passeamos, comprei apetrechos fashion, e terminamos a noite no Cubans, um bar no coração de Camdemlock. Fiquei pouco, mas o suficiente para conhecer o novo namorado de Bobby. Em alguns minutos, talvez segundos, já tinha feito meu juízo. Ele é um amor. Bondade genuina. Ele não vai decepcionar minha amiga, tão decepcionada já.

E s’embora porque dia seguinte, hoje, foi labuta braba. 8-18 com um pit stop para o almoço, em que dei mais uma das minhas aulas de “espanhol”. Acho melhor eu começar a estudar, preparar umas aulas, não sei. Algo tem que ser feito, senão bem em breve ele descobre. Enquanto isso, almuerzo de gratis na companhia de um guapo. Reclamo não.

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