Friday, April 01, 2005

façam alguma coisa, só não me chamem para fazer também

Acabo de descobrir a solução para parte de minhas aflições. De agora em diante sou Verdana roxa. Aboli Times New Roman do meu processo criativo. Serifas só fazem doer a vista, mentem inescrupulosamente todos os jornalistas que um dia me disseram que serifas arredondam o texto. Batatada das grandes. E estou pensando seriamente em adotar o itálico para sempre também. Você há que concordar que um cursor deitadinho é menos ameaçador do que o empinado. De repente acabando o texto eu volto a pô-lo em pé. Enquanto crio, ele tem que se ajoelhar mesmo. Que é para eu caçar piolhos.

Mas a merda é que hoje tirei o dia para ler textos bons. Toda vez que tentava escapar do trabalho eu caia numa homepage maravilhosamente escrita por alguém que eu não conheço. E olha que isso é difícil. Difícil cyberdespencar em algo prestável hoje em dia. E de repente senti aquela urgência formigando os órgãos mais informigáveis. Quase uma vida surgindo de dentro do meu umbigo, uma vida nova crescendo dentro de mim. E não estou grávida, não, não estou – mas tenho sonhado deveras com o tópico.

Ih, fiz aquilo que sempre faço. Comecei sem saber onde chegar. Como meus sonhos. Tenho certeza que meus sonhos vão se sucedendo a esmo, minha cabeça desesperada atrás da próxima imagem, do próximo quadrinho, e como vai tudo muito rápido, sai aquela coisa Miró cuja interpretação até valeria o custo/benefício, não fosse o denominador tão doído antes de fazer o Bem. Preguiçaa de doer neste momento. Fiz de novo. Não tenho mais o que escrever, really. Muitas palavras me vêm em inglês e juro para você que tô achando isso um saco. Pareço uma adolescente com seu All Star, e seu chiclete Bubbaloo, e seu Walkman e tudo aquilo de que uma adolescente precisa desesperadamente para ficar em paz. Odeio esses meus tropeços. As palavras antes fluiam como cobra em terra molhada. Quase faziam parte do cenário, da minha existência, vocês sabem, eu respirava palavras. Continuo assim. Mas agora o ar é que tá diferente e tá rolando um estresse para me adaptar. Não quero ser uma dessas que fala meio português meio marguerita. Vinte e quatro anos, garota, vinte e quatro anos de portuga e nem um ainda de inglês. Te enxerga.

E hoje falei com o glorioso uncle John, que trabalha no nem tão glorioso The Times, no telefone:

- Fomos num pub chamado The Monks hoje, para rezar pelo Papa.
- Se eu não te conhecesse acharia que está falando sério.
- Mas estou. Rezamos para ele morrer na próxima meia hora e eu poder ir para casa logo.

Aiai.

Falando em morte, eu estava pensando tanto, mas tanto e tão de perto na morte do meu avô que cheguei a quase invejá-lo. Ele já sabe. Ele já está na frente de mim, de você, de todo esse monte de vivos rastejantes. Ele agora tem o Conhecimento. Aquele que eu e você secretamente sempre quisermos ter ainda vivos, mas sabemos ser impossível. O negócio é engolir a inveja do meu sábio avô e fazer coisas bem humanas. Comer salgadinhos bem crocantes, tomar banhos bem quentes, correr até torcer o pé, trepar até virar duas, nadar entre águas-vivas – porque morrer de medo é estar mais vivo que nunca –, sonhar, porque nada garante que há sonhos ou que se durma depois da morte – como achava meu avô quando estava aqui, entre os vivos rastejantes. De repente está ele agora a rir da própria bobagem, com a boca bem aberta. Ele pode, porque ele Sabe.

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Ouvindo agora:

“O meu caminho pelo mundo eu mesmo traço”, porque quando se está na puta que o pariu há dez meses, de repente voltamos a ouvir músicas que só se ouvia da porta para for a. Ninguém mais canta Aquele Abraço. Só gringaiada e expatriados. Me digam, amigos, o Chacrinha continua balançando a pança?


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Recebi o seguinte email hoje, HOJE, que é 1o de abril, só para eu ficar encafifada:

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Viajaram na mayo.

1 comment:

Anonymous said...

bom comeco