Friday, March 04, 2005

my million dollar grandpa

Ontem sai do trabalho e fui direto assistir Million Dollar Baby. Que grande merda eu fiz. Nao, o filme eh otimo, adorei, ateh ousei me sentir na pele da boxeadora por causa dos treinos exaustivos. Claro que eu me achei ao me sentir como ela, mas aconteceu. Aureos tempos de horas de treino diarias na nataçao.

A merda foi ter assistido agora, num periodo tao critico. Falei com babae ontem e recebi email de Piu e babai. Eles meio que combinaram de me contar tudo, nao esconder nada, mas ao mesmo tempo tentar mostrar que estao bem, que eh o ciclo natural da vida, que ele viveu coisas demais ja e que nao merece sofrer a essa altura. Eu concordo, claro. Concordo como um burrico que nao tem muito para onde ir numa estrada de terra que leva nada a lugar nenhum. Aquele concordar nao-tem-outro-jeito-mesmo. A verdade eh que ontem, apos o filme, a ficha finalmente começou a cair.

Voltei para casa em prantos, falando com o Chris no telefone, o onibus inteiro naquele silencio acolhedor, condescendente, ingles. O Chris falou tudo o que eu sabia mas precisava ouvir. Tambem conseguiu me fazer rir. Me fez prometer que ficaria bem. Me garantiu que almoçariamos juntos hoje, ouviu meus lamentos mais tolos, “I’m being selfish, I know! I’m horrible!”, “No, babe, you’re not being selfish at all. You’re suffering a loss, that’s all”, “Yeah, you’re right, I just wanted, you know?, to say goodbye to him”, “I know, babe, but try to think of him as he were when you left”. Enfim, quem me conhece sabe que eu sei ser um pain in the ass quando estou triste. Nao aceito conselhos, nao aceito palavras superfluas, nao aceito pena. Mas dele eu aceitei isso tudo. E e senti deliciosamente (dentro do possivel, claro) leve depois.

Cheguei em casa saltando as poças congeladas na rua. Encontrei Frufru, meu anjinho acolhedor. Me abraçou, me falou mais do mesmo, e eu adorei ouvir. Aquela pequena me faz bem.

Dormi cedo porque tenho tido que acordar cedo esses dias, tenho que telefonar para a Asia e la eh final de expediente quando aqui o galo ainda nem cantou. Ninguem merece o sotaque tailandes. O vietnamita tambem eh duro de encarar.

Mas tudo isso eh otimo porque me mantem ocupada. O Chris me perguntou se eu iria trabalhar hoje. Claro que sim, eu disse. Nao consigo nem pensar em passar por tudo isso em casa. Cabeça vazia, oficina do diabo. A Fru me perguntou se eu queria ir para o Brasil. Claro que nao, eu disse. Nao consigo imaginar a mistura grotesca que seria a profunda felicidade de encontrar as pessoas que mais amo na vida, com a profunda tristeza da iminencia de uma perda. Simplesmente nao combina. Nao cai bem. Pesa do estomago de todo mundo. E quem me conhece sabe bem o que acontece se meu estomago começa a reclamar.

Mas, meus amados, estou melhor. Hoje acordei inchada, olho fechadinho, sabe?, aquela cara de briguei-feio-com-meu-namorado-ontem-a-noite. Mas ja estou back on track. Muito trabalho, um fim de semana aa frente, amanha chega meu laptop, vou ver meu gatinho, vou me ocupar. E tentar pensar no meu velhinho mais amado com toda a ternura que houver neste mundo. E nao eh pouca. Eu amo aquele serzinho enrugado. E se ele morrer, nao vou deixar de ama-lo nem um cilio. Finally, slowly a ficha estah caindo. E isso eh tudo de que preciso. O resto nao estah a meu alcance.

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