Thursday, September 23, 2004

O belo e o mala

Ontem fui para a balada. Cheguei em casa meio xoxa, cansada do trabalho, cansada de dormir pouco, cansada de uma ameaca de ataque de panico (este ultimo diretamente relacionado aos primeiros, naturalmente).

Ao descer do onibus em Clapham, me dei o prazo de uma hora para ir embora. Eu nao imaginei que nao veria a hora passar. Ir numa balada sozinha, sem conhecer ninguem e sem beber nao eh muito promissor. Mesmo assim eu fui. Ja furei algumas vezes com a Emily e o Justin e nao queria furar novamente. O negocio eh que cheguei la e nao tinha ninguem que eu conhecesse. Nenhuma das minhas primas, nada nada. Soh o Justin, que tava la reinaugurando o bar dele, entao obviamente tinha mais o que fazer. Fiquei ali zanzando. Sobe escada, desce escada, visita o banheiro, faz um xixi meia-boca – nem tava com vontade, mas na falta do que fazer… - e uma mocinha comecou a cantar musica ao vivo. Voz e violao. E uma puta voz. Ai comecei a relaxar. Fiquei segurando minha coca-light e logo um sofa perto de mim foi desocupado. Sentei sozinha. Por aproximadamente cinco minutos. Chegaram dois caras engracadissimos, cada um sentou de um lado, e comecaram a passar aquele chaveco furadissimo dos ingleses. Um realmente era ingles. O outro, mais bonitinho, eh sul-africano.

O ingles ficou buzinando um monte de merda no meu ouvido. O quanto as brasileiras sao quentes e tropicais e exuberantes e todo aquele senso comum que me irrita profundamente. O cara passou de divertido para mala em dois minutos. E eh claro que no final das contas quem ficou com meu telefone foi o mala, nao o bonitinho. Para voces visualizarem, o belo era uma versao castanha do Matt Damon. Igualzinho, soh que de cabelo e olhos castanhos. O mala? O mala era um versao piorada e franzina do Pascoal Papagaio em Despedida de Solteiro (qual o nome do ator mesmo?).

De qualquer maneira foi divertido. A beeeeautiful Bea, como o ingles alcoolizado insistia em acentuar, novamente se provou errada na teoria de que se nao sair de casa nao tem como ser ruim. Tambem nao tem como ser bom. E eu sai do Brasil para fugir da mediocridade. Por isso fui. Vou tentar lembrar para uma proxima vez em que eu quase nao for para algum lugar.

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Em uma hora estou saindo do trabalho, rumo a Heathrow, para buscar a amada Frubinha no aeroporto. Farra pura.

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